04/11/2008

Assessoria de imprensa na Era 2.0

Há alguns dias recebi a ligação de uma assessoria de imprensa, perguntando se poderiam me enviar um brinde, o famoso “jabá” (para quem não sabe, jabá é um presentinho que mandam para o jornalista, um agrado, para darem uma puxada de saco, na esperança de conseguir espaço para o cliente da assessoria no veículo de comunicação de interesse). Eu perguntei o que era, sinceramente não entendi direito, estava com pressa e respondi, tudo bem, o endereço é este.

Quando cheguei mais tarde e vi, tinham 6 envelopes iguais, dentro de cada um continha uma escumadeira, dessas de pegar comida. Não acreditei. Tenho dó do cliente desta assessoria de imprensa. Primeiro porque não procuraram saber se a minha revista eletrônica comportaria a pauta que estavam propondo, segundo porque simplesmente pegaram cada e-mail que acharam com o domínio @treinototal.com.br e enviaram um brinde. Acontece que esses e-mails são de colunistas, que estão espalhados pelo Brasil e não trabalham no escritório Treino Total. Conclusão: não rendeu matéria e ainda fiquei com meia dúzia de escumadeiras à toa – vou pedir para minha mãe distribuir entre as amigas dela, rs

A assessoria de imprensa sugere o brinde. O cliente providencia e paga por isso, com idéia de que o brinde está indo para o jornalista e para a editoria CORRETA, sem contar que o assessor acaba iludindo o cliente, fazendo-o acreditar que o envio será uma estratégia infalível e nada. Isso é puro desperdício. Sem contar que esse papo de “jabá” já anda meio ultrapassado. O jornalista fará que aquele release vire pauta apenas se o assunto de fato interessar. Não adianta ficar enviando presentinhos às redações, pois só rende notícia, nota, matéria, se o conteúdo for relevante.

Isso é prática de assessoria de imprensa ultrapassada, que não consegue reinventar seus métodos. Muitas assessorias de imprensa já tiveram sucesso há 30, 40 anos e não quer dizer que terão hoje, fazendo exatamente como faziam. Com isso, as assessorias de imprensa que conseguiram enxergar outras maneiras de trabalho, fugindo daqueles padrões engessados, conseguem ganhar espaço e reter seus clientes. O assessor de imprensa não é mais um mero disparador de releases, ele pensa estrategicamente, busca fazer comunicação de forma integrada e está constantemente em busca de novas ferramentas para levar a informação aos públicos de interesse, quer seja via jornal, quer seja por outros meios e isso inclui blogs, redes sociais, Twitter, dentre outros recursos oferecidos pela web 2.0.

Hoje o público está distribuído em diversas esferas e em enviar release para jornal, revista, tv, rádio é muito pouco dentro deste universo. Por isso precisamos ir onde o público está e isso vai muito além do que víamos há 15 anos. A internet está aí para revolucionar e se as milhares de assessorias de imprensa que existem seguirem aquele padrão antigo de trabalho, certamente ficarão ultrapassadas. O negócio é reiventar, buscar informação e reciclar as práticas para que o objetivo proposto seja satisfatoriamente atingido. Não digo que devemos eliminar totalmente os velhos métodos, mas devemos repensá-los.

5 comentários:

Donizete disse...

Oi Trika te conheci lá no Dhitt. Quanto ao assunto do jabá, estava eu comentando um assunto quase parecido hoje a tarde na minha propriedade agrícola com um amigo.
Se você vai comprar um defensivo agrícola tem saber com quem compra porque conheço casos que as empresas ou vendedores ganham presentes tipo, Tvs, geladeiras, viagem para o pantanal e até outros países para empurrar determinadas marcas de grandes multinacionais.
Os presentes são melhores porque os produtos são caríssimos e giram muito dinheiro, mas enfim é tudo igual.
Existe muito intesse em jogo.
Escrevi sobre este assunto no meu blog neste endereço: Medicos Denunciados
Um grande abraço

Osc@r Luiz disse...

Pois é, Donizete...
Enquanto isso, aqui no Pantanal, pra onde os consultores viajam, os produtores rurais daqui compram os defensivos agrícolas contrabandeados do Paraguai ou da Bolívia.
O "Jabá" está institucionalizado, e o Governo que deveria punir e dar o exemplo, cobra 20% de tudo o que libera.
Assim fica difícil...
Num acidente de trânsito, quem é o culpado?
Fácil: aquele que não pagar o "jabá" da polícia e da perícia, mesmo que esteja certo.
O "jabá" está incorporado à nossa cultura.
É quase um produto de exportação (só que não incide sobre a balaça comercial)...
Quanto à "Era 2.0", é irreversível. Quem não se adequar... quem não dominar essa tecnologia estará fadado ao insucesso.
Até meu pendrive é USB 2.0; Só meu carro que ainda é 1.8.
Beijo, Dona Jornalista e abraço, Donizete.

Marcos Souza Aranha disse...

Olá Trika! Espero que a pessoa que fez isto tenha lido seu post, e aprendido a lição. Marcos

Renata/ Trika Lopes disse...

É Marcos, eu também gostaria muito, mas meu blog ainda é pouco conhecido,rsrs

Lu disse...

Oi Renata, sou assessora de imprensa de algumas marcas. Calma não fui eu quem te enviou a escumadeira. Rs rs.
Mas o seguinte concordo com você sobre a assessoria de imprensa daqui 15 anos. Não podemos continuar com estes processso. Inventar a roda? Também acho que não será o caminho, mas agregar as funcionalidades da tecnologia em favor da marca atendida.... opa pode ser um sinal.
Abçs